segunda-feira, 20 de julho de 2009

O covarde

Dos tipos de homens (leia-se o substantivo e não o gênero, portanto inclui as mulheres) que eu menos admiro, está a categoria dos covardes. Aqueles que não bancam suas verdades e sequer sustentam as mentiras que criaram...

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Blog do Eliziário

Reproduzo a linda homenagem do meu amigo Eliziário ao imortal Michael Jackson...

Blog do Eliziário

domingo, 21 de junho de 2009

O jardineiro do Éden


Há tempos não contemplava aqueles longos cabelos negros, levemente ondulados. Aqueles olhos expressivos, escuros e lustros como jabuticabas maduras, e aquele jeitinho de falar unindo o português aprendido nos últimos anos à sensualidade das palavras hispânicas.

Sim, tínhamos dois amigos em comum, mas nem a esses amigos ultimamente costumava fazer companhia. Inesperadamente, numa dessas saídas em que se vai por querer pôr o nariz para fora de casa para respirar ares distintos, o bendito "acaso" coloca aquele deus uruguaio (e os gregos, neste caso, teriam inveja) novamente na minha frente. Nem preciso dizer que meu sorriso foi o mais franco e contente. O dele não deixou barato. Lindo exército de mármore enfileirado me saudando com gosto! A frase imediata recorrente nos meus pensamentos: "Como alguém pode ser tão belo...

Algumas palavras dos amigos, algumas minhas para quebrar o gelo (sou boa nisso!), algumas intervenções de conhecidos e a tão esperada oportunidade de estar a sós com ele novamente.

- Achei que nunca mais iria te ver
- Por quê? Moramos na mesma cidade
- Soube que você tem saído pouco.
- É, minha pequena tem absorvido muito do meu tempo de lazer, mas é por gosto.
- Filha?
- Sim, uma menina de 3 anos
- Deve ser linda como a mãe
- Creio que bem mais que ela (ruborizei)

As mãos nos meus cabelos tiraram qualquer controle que eu poderia ainda ter sobre minhas palavras e pensamentos. Os dedos percorriam meus fios, a orelha, minha nuca... e aqueles olhos me fitando em silêncio... Os meus já se entregavam e queriam fechar. Aguardavam um sinal mais intenso para a entrega total. Uma eternidade no paraíso era o que pareciam aqueles segundos. Um leve feromônio atravessou o ambiente e senti os lábios mais deliciosos da cidade tocarem os meus. Com um toque sutil, porém firme, ele segurava meus cabelos direcionando minha cabeça a tombar nos seus braços.

Com certeza, de perto, mas suficientemente distante para não quebrar nosso clima, os amigos comemoravam a vontade de todos sublimada.

Mas como todo conto real não necessariamente tem aqueeeeele final feliz, esta continuação feliz teve que se perpetuar para o dia seguinte. Eu não poderia me demorar por ter alguém importante da minha família em casa e esta pessoa muito cara para mim iria viajar hoje pela manhã. Mais uns beijos, alguns contatos mais quentes e a certeza do "quero mais".
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Dia seguinte, compromissos cumpridos e o telefone toca. No íntimo, tinha dúvidas de quem esperava que fosse, mas adorei a surpresa de ver seu número vibrando.

- Oi
- Olá, tudo bem?
- Muito melhor agora que ouço tua voz
- É??? (sem graaaaça... Incrível como ficamos piores que adolescentes quando o assunto é o coração...)
- Sim, quase não dormi pensando na gente e no que você me disse... nas coisas que você falou
- Que bom! Também fiquei feliz em te reencontrar... Muito mesmo (queria parecer mais durona do que fato sou)
- Faz o que agora?
- Estou em casa organizando as coisas para minha festa de aniversário
- Hum, já estou triste por não poder participar, mas... Agora pensei em tomar um café contigo
- Onde? Que horas? (ohhh ansiedade do c...)
- Que acha da Lagoa, fim de tarde?
- Acho uma ótima idéia, só preciso perguntar ao meu companheiro de lar se pode olhar a minha filha
- Ah sim
- Só um minuto (eu sabia que a resposta era sim!)... Sim, podemos ir. Passo na tua casa ou nos encontramos lá?
- O que ficar melhor pra você. Acho mais fácil você me encontrar lá pela distância
- Tá bom (não deveria oferecer facilidades assim. Não no início, pelo menos). 17h horas no Café Cultura, pode ser?
- Ótimo. Espero você

Sim, ele estava lá quando cheguei, por volta das 17h10. Os olhos me fitando, como que observando algo indecifrável, mas curioso. Eu um tanto tensa pela profundidade do olhar. Sim, sou tímida quando estou interessada em alguém, acreditem ou não. E sei ser beeem mulherzinha. Acho que depois dos 30 aprendi a me permitir ser conquistada. A gente vai equilibrando a malícia com a dose de inocência que os homens gostam nas mulheres, mesmo que seja uma inocência completamente superficial (como no meu caso).

Amenidades, aleatoriedades e um longo passeio pela orla da Lagoa, linda com o entardecer que só Floripa tem no outono e no inverno. Aliás, hoje começou o inverno e eu espero que a estação que tenha começado no meu coração tenha sido a primavera!

domingo, 31 de maio de 2009

sexta-feira, 24 de abril de 2009

por que você está triste?

Por que você está triste, ela perguntou? Não me sinto triste. Me sinto esgotada, respondi. Esgotada por uma rotina que não pensei antes de conceber minha obra de arte; esgotada pelas inúmeras decepções amorosas e por demorar tanto a aprender a estabelecer limites para a saúde da minha auto-estima.

Mas triste não! Tenho brilho nos olhos ainda, mãe, não se preocupe. A opacidade está até nos meus cabelos agora, porém é por pouco tempo...
Em breve verás todos os processos de renascimento se manifestando de dentro pra fora. Alguns já podes notar; outros, só com a convivência e o tempo virão à tona.

Confie que os meus anjos de guarda são ótimos, inclusive o anjo que me pôs no mundo; confie que eu sou mais forte que eu mesma imagino!

Tristeza, vá embora! Não te quero nem nos vestígios de pensamento de outros em relação a mim. Sinto dizer, mas não há lugar pra ti na minha vida... não por mais de 12 horas!

terça-feira, 14 de abril de 2009

“O novo hipócrita é magérrimo, ‘verde’ e antitabagista”

Por Luiz Felipe Pondé, para a Folha

Sade é sem dúvida um autor famoso. Para alguns, ele é um gênio que grita pela liberdade em meio ao século das Luzes (um Voltaire maníaco por sexo), para outros, mero tarado sexual com dotes literários medíocres. Apesar de tê-lo lido com alguma atenção e entender um pouco o que os especialistas veem nele, suspeito que, antes de tudo, seu sucesso se deu porque ele era um nobre "em desgraça" que escrevia pornografia pesada (quem não gosta?). Se ele estiver certo, somos todos tarados sexuais. Mas levemos a sério sua "crítica" e vejamos aonde ela nos levaria hoje.

Sade [na reprodução] funda uma "tradição" que é ver no sexo algo além dele. Muitos o seguiram nessa suspeita de que sexo é mais do que sexo. O Sade político ou psicanalista é o mais famoso. Mas há um Sade "metafísico". Segundo sua metafísica, a Natureza é perversa e cruel e, portanto, a rigor, não há crime ou transgressão porque a regra é o crime e a transgressão. Nesse sentido, ele se aproxima muito dos cristãos antigos conhecidos como gnósticos, caras que afirmavam que o mundo foi criado por um deus mau. Segundo o que nos legou os críticos desses gnósticos, alguns deles se entregavam a todo tipo de sexo, menos o reprodutivo, como forma de desafio ao deus mau. Diriam eles: "Veja, oh! Miserável deus, você nos fez gostar de sexo para reproduzir suas vítimas, por isso fazemos apenas sexo estéril". Já há aqui algum indício da "sexualidade de protesto".

Mas o Sade político e psicanalista é mais fácil de circular em jantares inteligentes. Seus frequentadores são consumidores envergonhados de antidepressivos, não aturam pessimismo de gente grande como a metafísica de Sade. A política sadiana identifica na moral social a intenção de nos destruir pela repressão do desejo. Quem busca a "virtude", como sua personagem Justine, é objeto "feito" para ser torturado por uma sociedade que dá corpo à crueldade da Natureza louca. A revolta nesse caso é ser sexualmente "livre": transformar-se no libertino, ou seja, no torturador, identificando-se com a "regra da crueldade gostosa".

Já o Sade psicanalista é aquele que "pressente" o gozo da pulsão de morte como natureza essencial do animal louco que seríamos. Violência, revolução e gozo.
Depois dele, nunca mais fomos para cama com alguém sem levar junto Freud (mamãe e papai), Marx (e a ideologia de classe), Foucault (e a microfísica do poder invisível), enfim, haja cama grande para tanta gente. Não fazemos mais sexo, fazemos política e sintomas quando temos tesão por alguém. Confesso que no fundo acho esse papo de perversão sexual meio "boring" (um saco): bater, queimar, cortar, apanhar, ser queimado, ser cortado. A mesma lengalenga de sempre. A morte para um perverso é achá-lo entediante. Na realidade, a política sadiana hoje está espalhada em sites sado-maso banais.

Acho mais interessante imaginar o que Sade teria escrito hoje, se vivesse em nossa época, dada a delírios de uma nova "pureza". Imagine, caro leitor, que existem pessoas que "salvam" o mundo comendo alface! Um exército de rúculas! O que seria transgressivo no caso da "nova pureza"? Tiraria ele sarro do "pai Obama"? Ou talvez ele fumaria um cigarro no meio de um templo onde se reúnem os fascistas da saúde?
Mas tabaco faz mal! Claro que sim, mas ser violentada por cinco caras também faz mal. Fazer sexo nos telhados, como gatos, também faz mal. Por que achar que isso é libertador e fumar não? Vamos adiante, quem é o novo Sade? Que tal comer gordura trans? Ou será que a "ciência da comida saudável" já mudou de novo e agora comer gordura trans combate ataques cardíacos? Vejo um Sade gordo, dilacerando uma picanha em meio a um restaurante de comedores de rúculas. Chorariam? Ou o espancariam? Vaquinhas jamais, mas sádicos comedores de carne e fumantes merecem uma surra? Ou apenas desprezo e nojo? Os nazistas também eram defensores dos animais...

Sua Sodoma seria deliciosamente poluída, rindo das "medições" do aquecimento global. No lugar da teoria Gaia da "mãe terra", a "devoradora terra" gargalhando de nossa "devoção verde".

O Sade do sexo envelheceu. Hoje todo mundo acha chique achá-lo chique. O novo Sade é aquele que, talvez, debocharia de uma sociedade da saúde. O que nos humaniza são os vícios, não as virtudes. Temo pessoas que não têm vícios. O novo hipócrita é magérrimo, "verde" e antitabagista.

Texto publicado na Folha de São Paulo de ontem: Segunda-feira, 13 de Abril de 2009
 
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